Lançamento do livro “Enfrentar as Mudanças Climáticas: Plano Participativo de Icapuí”

Clique na imagem ao lado para ter acesso à obra completa!

Leia abaixo um resumo feito pelo Professor Jeovah Meireles.

Fizemos um grande esforço para transmitir os conhecimentos e compreensões cósmicas integradas com as práticas especiais de soberania territorial das comunidades pesqueiras litorâneas e as camponesas, ponto de partida para enfrentar as evidentes consequências das mudanças climáticas, pois são saberes profundamente poderosos quando integrados ao conhecimento científico.

As consequências do aquecimento global relacionadas com o aumento da temperatura e do nível dos oceanos nos orientaram a afirmar com vigor que a urgência climática é central nas relações socioambientais. Isso nos impõe a obrigação de revisar as leis municipais e elaborar regimentos e processos administrativos com o olhar direto no clima e, assim, eleger representantes com esses propósitos.

Esse foi o caminho percorrido pelo coletivo da Fundação Brasil Cidadão nas 13 oficinas com 188 participantes da sociedade civil organizada e de instituições públicas e privadas. A participação popular, por meio dos diálogos com as 32 comunidades do município, foi fundamental para orientar a elaboração de um plano para a gestão compartilhada dos ecossistemas, permeado pela pedagogia dos territórios (terra e mar) e com base nos preceitos de equidade socioambiental e da justiça ambiental, climática e social.

Caso esses sinais das mudanças climáticas, definidos pela dinâmica dos ecossistemas no município de Icapuí, não sejam levados a sério na dimensão que exigem, poderão consolidar o inevitável cenário que nos obrigará a dessalinizar a água doce filtrada da chuva pelas dunas, a mesma água que se encontra nas lagoas interdunares e nascentes no sopé das falésias. E , como consequência, colapsar a riqueza da diversidade de cores, formas e vidas dos ecossistemas marinho, costeiro, mistos e continentais que nos presenteiam com essa água, essencial para a qualidade de vida. Nada mais natural, portanto, do que a água ser o fio condutor para conectar os sistemas ambientais e as práticas adequadas de gestão territorial. Da água depende o alimento das plantas, abelhas, mamíferos, peixes, ostras, aves migratórias. As árvores da água salgada (manguezal) fornecem alimentos para uma imensa cadeia de seres vivos, desde as menores criaturas na lama até o conjunto de ecossistemas e paisagens, dos quais fazemos parte.

O Plano Participativo de Enfrentamento às Mudanças Climáticas de Icapuí reflete e enfatiza essa integração com a vida de todas as espécies por meio de uma visão ecossistêmica do território. O banco de dados, com o registro de centenas de colaboradores durante 8 anos de atividades, todas orientadas para proporcionar melhoria da qualidade da água, e sistematizadas pela equipe da Fundação Brasil Cidadão na Estação Ambiental Mangue Pequeno (que ainda queima em nossas mentes), foi e é um importante instrumento para auxiliar nas tarefas de não deixar a temperatura ultrapassar os 2°C até o final desse século XXI.

Os procedimentos definidos pelos formuladores foram elaborados de acordo com as alterações dos ecossistemas locais relacionadas com processos erosivos na linha de costa, salinização do lençol freático e perda de biodiversidade. Cada comunidade identificou e definiu as relações socioambientais, culturais e econômicas vinculadas à diversidade de paisagens e dos ecossistemas para a proteção, preservação, recuperação e conservação dos sistemas ambientais municipais e a qualidade de vida de todas as espécies.

É um Plano repleto de elementos e informações para fundamentar debates e territorializar a educação ambiental inclusiva, transformadora e libertadora. Demonstrar que os serviços ecológicos são preciosos e estratégicos para enfrentar a urgência climática foi o nosso propósito.

Confira essa e outras publicações do Projeto de Olho na Água aqui.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *